Roraima registra mais de 2 mil focos de calor até outubro de 2026 e supera total de 2025
13/10/2026
(Foto: Reprodução) Área de vegetação atingida por incêndio na zona rural de Boa Vista (RR).
Raquel Maia/Rede Amazônica/Arquivo
Roraima registrou 2.107 focos de calor de janeiro até o último domingo (11), segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número é 36,9% maior que o total registrado durante todo o ano de 2025, quando houve 1.539 focos.
🔥 Entenda: focos de calor são zonas onde há ressecamento e elevação de temperatura que podem ocasionar incêndios. Atualmente, Roraima enfrenta o período de seca, que deve durar até o mês de abril, e está em situação de emergência por causa da estiagem.
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Entre 1º e 10 de outubro, Roraima registrou 132 focos de calor. Desse total, 72 foram identificados apenas entre sexta-feira (9) e sábado.
Até agora, março foi o mês com mais focos de calor em Roraima em 2026, com 602 registros. Em abril, o número caiu para 257 e, em junho, chegou a seis. Veja o ranking dos meses no gráfico abaixo.
À época, o estado enfrentou fortes chuvas. Ao menos nove municípios entraram em situação de emergência, e 49 mil pessoas foram impactadas.
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O Pará foi o estado com mais focos de calor em 2026, com 15.051 registros, segundo os dados do Inpe. Nos últimos dias, incêndios florestais avançaram pelo oeste do estado e mobilizaram equipes de combate ao fogo e moradores. As chamas atingiram áreas de vegetação e propriedades rurais, e se aproximaram de residências.
No Amazonas, foram registrados 3.726 focos de calor em setembro, quase quatro vezes os 942 contabilizados no mesmo mês de 2025. O avanço das queimadas provocou fumaça densa, destruição de áreas de vegetação e poluição do ar em diferentes regiões do estado.
Situação de emergência
Caer anuncia novos poços e envio de carros-pipa para combater efeitos da seca em Roraima
O estado está em situação de emergência por causa da estiagem desde 2 de setembro, quando o governo de Roraima também criou um gabinete integrado para coordenar ações de prevenção e combate aos efeitos do El Niño no estado.
🔎 O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Ele pode alterar a circulação da atmosfera e mudar padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos podem afetar a agricultura, os recursos hídricos e aumentar a ocorrência de eventos extremos.
O nível do Rio Branco, principal rio de Roraima, caiu 38 centímetros em um mês e chegou a 60 centímetros nesta segunda-feira (12), em Boa Vista, de acordo com dados do Setor Operacional de Monitoramento da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer). Em 12 de setembro, o rio estava com 98 centímetros metros.
Em 7 de outubro, a Caer anunciou a perfuração de novos poços artesianos e o uso de caminhões-pipa para manter o abastecimento de água em Boa Vista e conter a falta do serviço em municípios do interior. O objetivo é diminuir os impactos da seca provocada pelo El Niño.
Durante o período, a agricultura em Roraima sofreu uma queda histórica entre 30% e 50% na safra de 2026, segundo dados do setor produtivo reunidos em uma nota técnica sobre os impactos do El Niño na Região Norte.
O prejuízo à safra começou com a falta quase total de chuvas no mês de julho, período em que as lavouras precisavam de água para o crescimento e enchimento dos grãos. A estiagem deve ocorrer até março de 2027.
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