Da arquitetura à gastronomia: conheça a República, bairro de SP eleito um dos mais 'cool' do mundo
17/10/2026
(Foto: Reprodução) O que faz da República um dos bairros mais cool do mundo?
Uma das regiões mais antigas de São Paulo foi eleita uma das mais descoladas do mundo. A edição mais recente de um ranking da revista britânica Time Out colocou a República entre os mais "cool" do planeta. Na lista de 40 localidades, o bairro paulistano ocupa a 25ª posição.
Mas o que faz da República um lugar tão interessante em 2026? Talvez seja justamente o fato de ter um pouco de tudo. Restaurantes, livrarias, cinemas, bares, festas e espaços culturais fazem da região um universo à parte no coração da capital paulista.
Unindo o novo à tradição, a República vai muito além de sua fama de descolada. A arquitetura também é uma atração: das curvas do Copan aos traços clássicos do Theatro Municipal, o bairro reúne diferentes épocas e estilos em poucas quadras.
Centro da cidade e de uma época
Parte da Subprefeitura da Sé, a República está localizada no chamado Centro Novo de São Paulo, cuja urbanização ganhou força com a inauguração do Viaduto do Chá, em 1892, nos primeiros anos do regime republicano. Até então, a região ainda tinha características rurais e ficava próxima ao Centro Velho.
A transformação acompanhou a valorização dos terrenos e a chegada de investimentos imobiliários. Na arquitetura, o crescimento refletiu os ideais de progresso da época, marcados pela valorização da ciência, da tecnologia e dos padrões culturais da belle époque, adotados pela elite paulista.
Antes de se tornar um dos principais pontos de encontro da cidade, a região tinha outras funções. O Largo do Arouche, por exemplo, era utilizado para exercícios militares.
Já o então Largo dos Curros, recebia cavalhadas e corridas de touros, que divertiam os paulistanos. O espaço passou a se chamar Praça Sete de Abril e, após a Proclamação da República, em 1889, foi rebatizado. A mudança acompanhou a substituição dos nomes de diversas ruas e praças que faziam referência ao antigo regime monárquico.
Mais de um século depois, a preservação e a transformação da região continuam em debate. Nos últimos anos, a Prefeitura de São Paulo passou a estimular a recuperação de edifícios antigos e ociosos do Centro por meio de programas de incentivo ao "retrofit".
🔎 Retrofit é o processo de modernização de um edifício para adaptá-lo a novos padrões de uso, segurança, acessibilidade e eficiência energética, preservando total ou parcialmente sua estrutura original. Diferentemente de uma demolição seguida de reconstrução, o retrofit reaproveita a construção existente.
Embora tenha contribuído para recuperar alguns prédios que passaram décadas abandonados, a iniciativa ainda apresentou poucos avanços na produção de moradias para a população de baixa renda, um dos principais objetivos da política pública, que oferece incentivos fiscais e financeiros ao setor imobiliário.
A localização central também faz do bairro um importante ponto de conexão com o restante da cidade. O bairro tem acesso direto às linhas 3-Vermelha e 4-Amarela do Metrô, além de diversas linhas de ônibus que circulam por vias como a Praça da República e a Avenida São João.
Mas a facilidade de circulação não é a mesma para todos os paulistanos. Para quem mora em Marsilac, no extremo sul da capital, por exemplo, chegar à República pode exigir uma viagem de duas horas e meia a quatro horas, com múltiplas integrações entre ônibus, trem e metrô.
Dentro do bairro, porém, as distâncias parecem diminuir. Da Galeria do Rock ao arrasta-pé de forró da Galeria Olido, a República funciona como uma minicidade, com um ecossistema próprio e um ritmo que mistura diferentes estilos, gerações e formas de ocupar o espaço urbano.
Arquitetura e os segredos da República
Com obras de arquitetos como Oscar Niemeyer, João Artacho Jurado e Ramos de Azevedo, passear pela República é também percorrer parte da história da arquitetura paulistana.
O Copan, o Edifício Louvre e o Theatro Municipal são alguns dos símbolos dessa paisagem, que se reinventa com a chegada de restaurantes, bares, sorveterias, lojas e espaços culturais.
Mas nem todas as atrações estão à primeira vista. No subsolo do Theatro Municipal, por exemplo, é possível tomar um drinque no Bar dos Arcos. Na Galeria Olido, os visitantes podem conhecer o Centro de Memória do Circo.
Já nas galerias do Copan, convivem espaços culturais, como o Cine Copan, e estabelecimentos que resistem às transformações da cidade, como a videolocadora Video Connection.
E não é apenas do chão que a República impressiona. Os terraços e mirantes dos edifícios também oferecem novas perspectivas da capital.
Do alto do Edifício Itália, do Edifício Esther e do Sesc 24 de Maio, é possível observar a dimensão da selva de pedra paulistana. Além das vistas panorâmicas, os espaços nas coberturas dos prédios têm atraído visitantes por abrigarem restaurantes, bares e casas noturnas.
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Comer e beber no bairro
Da França ao Japão, passear pela República também é conhecer diferentes partes do mundo por meio da gastronomia.
O Brim, por exemplo, combina café e bar em uma proposta versátil, sem abrir mão do tiramisù, uma das marcas registradas da casa.
Para quem prefere a comida brasileira, o Copan pode ser um bom ponto de partida. No Bar da Dona Onça, o tradicional arroz com feijão ganha uma versão especial. Logo ao lado, a Tem Umami conquistou o público com seu sorvete de pudim. Outra opção é o Cuia, que divide espaço com a Livraria Megafauna.
Na Galeria Metrópole, estabelecimentos como Sanduteca, La Baguette, Tucupi e Prosa e Vinho oferecem alternativas para quem procura desde um lanche rápido até um bom drinque. Já o Sesc 24 de Maio é uma opção para tomar um café sem gastar muito.
O tradicional prato-feito também tem seu lugar na Merenda da Cidade. Para quem busca uma experiência gastronômica mais elaborada, o premiado restaurante A Casa do Porco é uma das opções da região.
E, quando anoitece, a República continua movimentada. Bares e casas noturnas como Tokyo e Cordial atraem públicos variados. No subterrâneo do Viaduto do Chá, a Formosa Hi-Fi ocupa a histórica Galeria Formosa e se tornou um dos pontos de encontro mais disputados do bairro.
Entre edifícios centenários, restaurantes premiados, cinemas, livrarias e pistas de dança, a República mostra que não precisa escolher entre o passado e o presente. Poucos lugares conseguem reunir tantas versões de São Paulo em um único rolê.
*Sob supervisão de Cíntia Acayaba