Aluna viaja 185km de barco a Macapá e sonha com vaga em enfermagem no Enem: 'quero ajudar a minha comunidade'
08/11/2026
(Foto: Reprodução) Estudante do Bailique,Thayla Thauane Santos, de 18 anos.
Isadora Pereira/g1
Mais de 9 mil estudantes da rede pública do Amapá fazem as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste primeiro domingo (8). Em Macapá, a Escola Estadual Tiradentes funcionou como ponto de apoio, com almoço e transporte, para alunos vindos de 5 municípios onde não há aplicação do exame, sendo: Ferreira Gomes, Serra do Navio, Itaubal, Pracuúba e Cutias.
Para fazer a prova na capital, a estudante Thayla Thauane Santos, de 18 anos, precisou enfrentar horas de navegação no rio, cerca de 185 quilômetros. Ela é moradora da comunidade do Carneiro, no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá, e cursa o ensino médio na Escola Estadual Igarapé do Carneiro.
"A viagem é exaustiva por causa da maresia e do horário, pois chegamos de madrugada. Mas vale a pena o esforço para quem quer alcançar algo na vida. Venho me preparando desde que entrei no ensino médio. Fiquei em 6º lugar na redação do programa Jovem Senador e é gratificante representar minha escola. Quero cursar enfermagem para ajudar a minha comunidade", contou Thayla.
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Viagens do interior
Além de Thayla, outro morador da comunidade do Carneiro que precisou se deslocar até a capital foi Fabrício Braga dos Santos, de 20 anos.
"A viagem foi boa, apesar das dificuldades na preparação. Meu objetivo é tirar uma boa nota no Enem para conseguir entrar na faculdade", disse Fabrício.
Fabrício, morador do Bailique, enfrentou uma longa viagem fluvial para fazer o Enem.
Isadora Pereira/g1
Os dois estudantes do Bailique foram alocados em Macapá devido a um erro no sistema do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed).
Apesar da falha no cadastro do órgão federal, o Governo do Amapá assumiu os custos de transporte, acolhimento e alimentação dos alunos nos dois domingos de provas.
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Logística e acolhimento
A secretária de Estado da Educação, Simone Guedes, explicou que a estrutura foi organizada para garantir suporte pedagógico, transporte e refeições aos candidatos antes e depois do exame.
"Montamos uma logística para atender 309 alunos. O Estado garantiu o transporte desde o município de origem, o acolhimento na chegada e a alimentação. Após a prova, eles retornam para a escola, jantam e seguem de volta para suas casas", destacou a secretária.
Simone Guedes, secretária de estado da educação.
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De acordo com a Seed, 9.049 alunos do 3º ano da rede pública estadual estão inscritos nesta edição. Como preparação, a pasta promoveu revisões pedagógicas ao longo do ano, incluindo o "Aulão Show Enem", que reuniu cerca de 6 mil estudantes no Sambódromo de Macapá.
Estudantes dos municípios do interior do Amapá almoçaram na escola Tiradentes e seguiram para seus locais de prova.
Isadora Pereira/g1
Novidades no exame
Uma das novidades desta edição é a integração do Enem com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), determinada pelo Ministério da Educação (MEC). Com a mudança, a participação e o desempenho dos alunos na prova também serão computados para compor o índice educacional do estado.
Além disso, uma portaria publicada pelo MEC validou os dois domingos de aplicação do Enem como dias letivos na rede pública.
Sobre o Enem
O Enem 2026 será realizado nos dias 8 e 15 de novembro. Principal mecanismo de acesso ao ensino superior no Brasil, a avaliação permite que os candidatos concorram a vagas em universidades públicas por meio do Sisu, além de bolsas de estudo do Prouni e financiamentos pelo Fies, conforme as regras de cada programa.
Alunos do interior do Amapá são levados de ônibus até o local de prova em Macapá.
Isadora Pereira/g1
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