'Inspirado na arte indígena': Ovos de Páscoa em cerâmica marajoara valorizam sabores e cultura da Amazônia

  • 05/04/2026
(Foto: Reprodução)
Mestre ceramista Carlos Pantoja é quem produz as cerâmicas dos ovos de Páscoa amazônicos que resgatam a origem já na embalagem. Arquivo pessoal / Divulgação 🏺🐰 Ovos de Páscoa que unem sabores amazônicos intensos à tradição milenar da cerâmica marajoara feita em Belém estão conquistando o público e críticos nacionais nesta temporada. A aposta, que nasce no Pará e combina ingredientes da biodiversidade amazônica com o trabalho artesanal de comunidades tradicionais, transformou o produto em um item de desejo que vai muito além do chocolate. 🤔 Ao invés de plásticos, tecidos e caixas convencionais, por que não colocar os ovos de Páscoa "embalados" em cerâmicas que revelam a origem do chocolate? No centro dessa valorização está o mestre ceramista Carlos Pantoja. Morador de Icoaraci, distrito de Belém, ele acumula 45 anos de experiência no ofício e faz parte da comunidade tradicional formada por cerca de 200 ceramistas da região. Mestre Pantoja é o responsável por dar forma às embalagens que se tornaram o diferencial da Mágio — Chocolates da Amazônia. Agora em São Paulo, a marca é a antiga De Mendes, empresa paraense de biotecnologia de alimentos do engenheiro, pesquisador e chocolatier César De Mendes. A ideia dos ovos de Páscoa de cerâmica surgiu há quatro anos, a partir de um convite do próprio César, que viabilizou a criação com o setor técnico de cadeia produtiva da empresa. Assim, o processo criativo é colaborativo, mas a alma das peças vem da ancestralidade. “Meu trabalho é inspirado na arte indígena marajoara antiga, junto com a inovação da cerâmica icoaraciense", explicou o mestre Pantoja. 🏺 Desde 2022, o artesanato cerâmico feito em Icoaraci foi instituído como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém. Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Amazônia na Páscoa: ovo salgado combina caranguejo, jambu e tucupi Hospitais promovem ensaio fotográfico de Páscoa com bebês prematuros no Pará Paraense produz chocolate de alto padrão com sementes de cacau nativo Nos primeiros anos, a produção era limitada para presentear amigos e familiares de colaboradores da biotech. Foi somente em 2026 que os ovos na cerâmica começaram a ser comercializados oficialmente na temporada da Páscoa, sem perder o selo de exclusividade. "Há quatro anos começamos a produção dos ovos de cerâmica em poucas quantidades. Ao longo dos anos, a produção só tem aumentado", contou Pantoja. 🏺 No ritmo do barro Mestre Carlos Pantoja em Icoaraci. Arquivo pessoal Enquanto o chocolate é preparado, as peças de cerâmica seguem um cronograma rigoroso que respeita o tempo da natureza e das mãos humanas. Ou seja, diferente da produção industrial, as etapas destes ovos de Páscoa exigem um planejamento que atravessa o ano inteiro. “A produção começa com a retirada do barro pelas comunidades ribeirinhas. Depois vem o beneficiamento, a modelagem, o grafismo, a secagem, a queima, a pintura e o empacotamento”, revelou Pantoja. 🗺️ O mestre explicou que esse ciclo garante que cada peça carregue não apenas o design, mas a história do território: utilizar essa cerâmica é uma forma de reconhecer a arte que já existia na Amazônia muito antes do período colonial. "A produção dos ovos de cerâmica foram feitos no 'icoaraciense'. Os traçados 'icoaracienses' são incisões profundas no barro, feitas quando a peça ainda está úmida. A inspiração dos traçados vem da cerâmica marajoara, com diversos estilos de grafismos (indígenas)." Cerâmica feita em Icoaraci com traços marajoaras é "casa" para o ovo de chocolate amazônico. Divulgação Para ele, ver a própria arte ganhar o Brasil por meio da Páscoa é uma forma de manter viva a memória do Pará. “A cerâmica marajoara carrega uma história muito antiga, e poder levar isso para um produto como esse é uma forma de manter essa cultura viva”, completou o ceramista. 📍 Cacau com endereço: 'de onde vem o meu chocolate?' Em edição limitada, a marca oferece três versões de ovos de Páscoa acompanhados da cerâmica: chocolate ao leite com praliné de avelã e caramelo de maracujá; chocolate ao leite com recheio de praliné de avelã; e chocolate ao leite com recheio de cupuaçu. "Todo o cacau que dá origem aos três sabores é adquirido de comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares que cultivam a fruta 100% em sistemas agroflorestais ou em áreas de regeneração, onde o cacau cresce com outras riquezas da floresta, como o açaí, o taperebá, a castanha-do-pará e a pimenta-do-reino", detalhou a diretora de cadeia produtiva Cláudia Davis. Processo de produção do cacau e início do beneficiamento. Divulgação Segundo ela, para alcançar o padrão de chocolate premium, são mantidas equipes permanentes no Pará que oferecem assistência técnica contínua aos fornecedores. O trabalho foca no manejo das lavouras e, especialmente, nas etapas de fermentação e secagem — momentos cruciais para que os aromas e sabores do cacau se desenvolvam plenamente. Todo processo é feito no Pará e a finalização (moldagem e embalagem) é na fábrica em São Paulo, onde também fica a loja da Mágio — Chocolates da Amazônia. A marca é a antiga De Mendes, empresa paraense de biotecnologia de alimentos do engenheiro, pesquisador e chocolatier César De Mendes. 📲 A transparência do percurso completo, do Pará a São Paulo, é garantida por um sistema de rastreabilidade de ponta a ponta. Por meio de um aplicativo próprio, o produtor registra fotos de cada etapa da produção, mesmo sem acesso imediato à internet. Esses registros são validados via blockchain, (banco de dados digital), o que garante que as informações não serão alteradas e assegura ao consumidor a origem exata e a transparência do chocolate que chega a ele. 🌳 Paraense da casca ao recheio Cupuaçu é uma fruta nativa da Amazônia. Do Pará, o cupuaçu virou recheio de ovo de Páscoa com chocolate premium. Divulgação 😋 Se por fora a cerâmica encanta, por dentro o recheio reforça a identidade regional. Ingredientes como o cupuaçu são protagonistas. Nativo da Amazônia, a fruta "azedinha", em contraste com o dulçor do chocolate ao leite, garantiu o equilíbrio aprovado pelo público que incluiu o sabor entre os "melhores do ano" da temporada de Páscoa nas redes sociais e em revistas de gastronomia. “Fazer o nosso principal ovo com cupuaçu é parte dessa valorização dos ingredientes nativos. O cupuaçu foi muito bem avaliado, e isso tem a ver com essa valorização da brasilidade e dos ingredientes locais”, afirmou o diretor executivo da marca, Renan Tanzillo. VÍDEOS com as principais notícias do Pará Acesse outras notícias do estado no g1 Pará.

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/04/05/inspirado-na-arte-indigena-ovos-de-pascoa-em-ceramica-marajoara-valorizam-sabores-e-cultura-da-amazonia.ghtml


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